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0%A Stablecoin ganhou espaço no mercado de criptoativos e passou a ser usada em diferentes tipos de operações digitais.
Neste artigo, você vai entender como esse ativo funciona, quais são seus principais tipos, onde pode ser utilizado e quais cuidados considerar antes de comprar.
O que é uma stablecoin?
Stablecoins são criptoativos desenvolvidos para reduzir a volatilidade de preço. As versões mais conhecidas acompanham o dólar americano e são utilizadas para movimentar valores dentro do mercado de criptoativos.
Nas stablecoins atreladas ao dólar, é comum encontrar uma cotação próxima de:
1 token ≈ US$ 1
Isso não significa que o token seja o próprio dólar. Trata-se de um ativo digital, negociado em plataformas de criptoativos e sujeito às regras e à estrutura do projeto que o emite.
Como uma stablecoin consegue acompanhar o dólar?
O funcionamento depende do mecanismo utilizado para dar suporte ao ativo.
Nas stablecoins lastreadas em reservas, o emissor mantém ativos destinados a sustentar os tokens em circulação. A composição dessas reservas e as regras para emissão e resgate variam conforme o projeto.
A relação entre o token e o dólar pode ser afetada pela oferta e pela demanda no mercado. Por isso, mesmo quando o objetivo é manter uma cotação próxima de US$ 1, pequenas diferenças podem aparecer durante as negociações.
Um exemplo simples
Imagine uma stablecoin negociada em torno de:
1 token = US$ 1
Se um investidor compra 100 tokens, ele passa a ter um ativo digital cujo preço de mercado busca acompanhar o equivalente a US$ 100.
O resultado, entretanto, depende da cotação no momento da compra ou venda e das condições de negociação da plataforma.
Quais são os principais tipos de stablecoin?
As stablecoins podem usar mecanismos diferentes para tentar reduzir as oscilações de preço.
Lastreadas em moeda ou outros ativos
Nesse modelo, o projeto mantém reservas destinadas a dar suporte aos tokens emitidos.
É a estrutura mais associada às stablecoins que acompanham moedas fiduciárias, como o dólar.
Lastreadas em criptomoedas
Aqui, outros criptoativos funcionam como garantia.
Como esses ativos também podem sofrer fortes oscilações, o sistema precisa utilizar mecanismos adicionais para administrar a garantia e manter o funcionamento da stablecoin.
Algorítmicas
Essas stablecoins utilizam regras automatizadas para ajustar características do sistema de acordo com determinadas condições.
Em vez de depender exclusivamente de reservas tradicionais, o projeto pode utilizar alterações na oferta ou outros mecanismos para tentar controlar o preço.
Por isso, duas stablecoins podem ter comportamentos e riscos diferentes, mesmo quando acompanham a mesma moeda.
Antes de comprar, vale verificar qual mecanismo é utilizado, como funciona a estrutura de garantia e quem administra o projeto.
Para que uma stablecoin é usada?
O uso vai além da simples negociação do ativo. Stablecoins permitem movimentar valores dentro do ecossistema de criptoativos sem precisar converter cada operação diretamente para uma moeda tradicional.
Isso pode facilitar negociações entre diferentes ativos digitais e determinadas transferências.
Entre os usos possíveis estão:
- negociação em plataformas de criptoativos;
- transferência de valores entre carteiras;
- pagamentos em serviços que aceitam esse tipo de ativo;
- movimentação internacional, quando a infraestrutura utilizada permite;
- exposição a um ativo digital denominado em dólar.
No Brasil, esse mercado ganhou relevância. Segundo dados da Receita Federal, entre agosto de 2019 e dezembro de 2025 foram declarados cerca de R$ 1,13 trilhão em operações de compra e venda de stablecoins. Em 2025, a participação desses ativos ficou em torno de 80% do volume mensal declarado de criptoativos.
Entre os ativos analisados pela Receita, a USDT, da Tether, respondeu por 88,7% do volume declarado em stablecoins no período. A USDC, da Circle, ficou em segundo lugar, com 7,1%.
Stablecoin é a mesma coisa que ter dólar?
Não. Comprar uma stablecoin atrelada ao dólar significa adquirir um criptoativo negociado digitalmente, e não manter dólares em uma conta bancária.
As diferenças aparecem principalmente na forma como cada ativo é emitido, armazenado e movimentado.
Stablecoin
- é um ativo virtual;
- pode ser armazenada em carteira digital;
- depende da estrutura do projeto e de seu emissor;
- pode ser transferida por redes de blockchain.
Dólar em uma conta bancária
- é uma moeda oficial dos Estados Unidos;
- fica sujeito à estrutura da instituição financeira onde está depositado;
- não depende de uma blockchain para existir ou ser movimentado.
Stablecoin pode perder o valor de US$ 1?
Pode. O preço de uma stablecoin pode ficar temporariamente acima ou abaixo do nível buscado pelo projeto. Pequenos desvios podem ocorrer durante as negociações.
O problema aparece quando essa diferença se torna maior ou persiste por mais tempo. Nesse cenário, pode haver perda de confiança no mecanismo que sustenta o ativo ou dificuldades relacionadas às reservas, à liquidez ou ao próprio projeto.
Antes de comprar, observe:
- quem emite o token;
- como as reservas são mantidas;
- quais informações são divulgadas sobre elas;
- onde o ativo é negociado;
- como funciona o resgate, quando disponível;
- qual é a liquidez do mercado.
A cotação exibida na plataforma é apenas uma parte da análise.
Stablecoin tem os mesmos riscos que outras criptomoedas?
Não exatamente. O objetivo de reduzir a volatilidade diferencia uma stablecoin de ativos como Bitcoin e Ether. Isso muda a dinâmica de preço, mas não elimina outros riscos.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Risco do emissor: problemas financeiros ou operacionais da entidade responsável podem afetar o ativo.
- Risco das reservas: a capacidade de sustentar a estrutura depende dos ativos mantidos como garantia, quando esse mecanismo é utilizado.
- Risco de custódia: quem deixa os tokens em uma plataforma também fica exposto aos riscos relacionados à empresa responsável pela custódia.
- Risco tecnológico: falhas em contratos inteligentes, redes ou sistemas podem afetar o acesso e a movimentação dos ativos.
- Risco de mercado: mesmo uma stablecoin pode apresentar perda de paridade em determinadas circunstâncias.
No Brasil, a prestação de serviços de ativos virtuais passou a contar com regras específicas do Banco Central. A Resolução BCB nº 520 disciplina a prestação desses serviços e estabelece regras para as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais, com vigência a partir de fevereiro de 2026.
Isso aumenta a estrutura regulatória do setor, mas não transforma uma stablecoin em moeda oficial nem elimina os riscos do ativo.
Como comprar e guardar uma stablecoin?
O processo normalmente começa em uma plataforma que ofereça o ativo escolhido.
De maneira simplificada:
1. Escolha a plataforma
Confira quais stablecoins estão disponíveis, quais taxas são cobradas e quais serviços são oferecidos.
2. Faça a compra
Você troca reais ou outro criptoativo pelo token escolhido, de acordo com a cotação disponível no momento.
3. Defina onde guardar os ativos
Os tokens podem permanecer na plataforma ou ser transferidos para uma carteira digital compatível.
4. Confira a rede
Uma mesma stablecoin pode existir em diferentes redes. Por isso, é necessário verificar se a rede escolhida para o envio é compatível com a carteira ou plataforma que receberá os tokens.
Esse cuidado é importante porque uma transferência feita pela rede errada pode causar perda de acesso aos ativos.
E como ficam os impostos e as informações à Receita?
As operações com criptoativos estão sujeitas a regras de prestação de informações e tributação.
Desde julho de 2026, as transações passaram a ser informadas à Receita Federal de acordo com a DeCripto, instituída pela Instrução Normativa RFB nº 2.291/2025 e alinhada ao padrão internacional da OCDE para informações sobre criptoativos.
A Receita mantém uma página específica com orientações, atos normativos e dados relacionados às operações com criptoativos.
Para quem realiza operações, é importante manter registros de:
- compras;
- vendas;
- transferências;
- valores envolvidos;
- datas das operações;
- documentos e comprovantes.
As regras tributárias dependem da operação e da situação do contribuinte. Em caso de movimentações relevantes, vale consultar as normas vigentes ou buscar orientação profissional.
Vale a pena usar uma stablecoin?
Depende do objetivo de quem pretende utilizar o ativo.
Para algumas pessoas, o interesse está em movimentar um criptoativo com menor volatilidade do que outros ativos digitais. Para outras, a utilidade pode estar em negociações, transferências ou operações internacionais realizadas por meio de plataformas que aceitam esse tipo de ativo.
Antes de comprar, avalie o emissor, a estrutura de reservas, a liquidez, a custódia, a rede utilizada e os custos da operação.
A principal vantagem de uma stablecoin está na proposta de reduzir a volatilidade, mas isso não significa que o ativo tenha o mesmo funcionamento de uma conta em dólar ou que esteja livre de riscos.
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual é a principal stablecoin atrelada ao dólar?
Entre as stablecoins analisadas pela Receita Federal, a USDT concentrou 88,7% do volume declarado entre agosto de 2019 e dezembro de 2025. A USDC apareceu em seguida, com 7,1%.
Stablecoin é uma criptomoeda?
Stablecoins são criptoativos. Elas utilizam diferentes mecanismos para reduzir a volatilidade e acompanhar uma moeda ou outro ativo.
Stablecoin sempre vale US$ 1?
Não. O preço pode apresentar desvios em relação ao nível buscado pelo projeto, especialmente em períodos de maior pressão de mercado ou problemas relacionados ao mecanismo de estabilidade.
Posso usar stablecoin para enviar dinheiro para outro país?
Pode ser possível, dependendo do ativo, da rede, da plataforma e das regras aplicáveis à operação. Transferências internacionais envolvendo ativos virtuais também precisam observar as normas cambiais brasileiras.
Stablecoin é segura?
A redução da volatilidade não elimina os riscos. É importante avaliar o emissor, as reservas, a custódia, a tecnologia, a liquidez e a plataforma utilizada antes de comprar.
